O Desenvolvimento Mental da Criança
Neste capítulo, o autor esclarece que todo desenvolvimento do ser humano (psíquico e corporal) orienta-se, essencialmente, para o equilíbrio.
É, portanto, em termos de equilíbrio que vamos descrever a evolução da criança e do adolescente. Deste ponto de vista, o desenvolvimento mental é uma construção contínua, comparável à edificação de um grande prédio que, à medida que acrescenta algo, ficará mais sólido, ou à montagem de um mecanismo delicado, cujas fases gradativas de ajustamento conduziriam a uma flexibilidade e uma mobilidade das peças tanto maiores quanto mais estável se tornasse o equilíbrio. (PIAGET, 1964/2010, p.14)
Tudo o que é novo causa desequilíbrio, pois exige que se modifiquem as estruturas atuais e se adaptem às novas informações. Pensando nas estruturas mentais, o desequilíbrio causado pela informação nova leva ao movimento de ajuste deste conteúdo, acionando as informações já adquiridas, o que Piaget chama de assimilação e à medida que outras informações chegam semelhantes à anterior, repete-se o movimento de assimilação até o ajuste mais adequado que é chamado de acomodação. Esse processo é contínuo e cada acomodação gera novas estruturas mentais, ou seja, como na comparação feita pelo autor, mais “solidez na edificação” do prédio do desenvolvimento. Os “tijolos” de conhecimentos vão, gradativamente, contribuindo para a maturidade necessária aos novos estágios que exigem amplitude e flexibilidade das estruturas mentais. Somente uma base sólida e ampla (alicerce) suporta construções maiores.
Quanto mais estruturas mentais tem o indivíduo, mais possibilidades de ação sobre o objeto de conhecimento esse indivíduo tem. Por isso a importância realçada pelo autor para os primeiros anos de vida da criança, quando essas estruturas básicas estão sendo construídas e sobre as quais se fará o trabalho de ampliação e flexibilidade (estabilidade gradual) objetivando o equilíbrio final na fase adulta.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
PIAGET, JEAN (1964) Seis Estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010. p.14.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
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